A independência económica de Moçambique deve tornar-se a principal etapa do desenvolvimento nacional após a conquista da soberania política em 1975, defendeu o Presidente da República, Daniel Chapo, nesta quinta-feira, 25 de Junho, durante as celebrações dos 51 anos da Independência Nacional. O chefe de Estado pediu aumento da produção, maior produtividade, industrialização e valorização dos recursos do país, informa a redacção do Infromoz, com base no discurso presidencial divulgado durante a cerimónia e na cobertura do jornal O País.
No pronunciamento, Chapo apresentou a independência política como uma conquista indispensável, mas insuficiente para garantir prosperidade, emprego e melhores condições de vida. O Presidente afirmou que a nova prioridade deve ser transformar os recursos naturais, a força de trabalho e a capacidade produtiva de Moçambique em benefícios concretos para a população, num processo assente na disciplina, no patriotismo, na integridade e na responsabilidade colectiva.
“O dia 25 de Junho pertence eternamente à alma e à história do povo moçambicano. Recordamos todos aqueles que enfrentaram a opressão e devolveram ao povo moçambicano o direito de existir como um povo livre, independente e soberano”, declarou Daniel Chapo durante a cerimónia comemorativa realizada em Maputo.
Moçambique proclamou a sua independência em 25 de Junho de 1975, após a luta de libertação nacional e o processo de transferência de poderes acordado entre a Frente de Libertação de Moçambique e o Estado português. A data permanece consagrada como feriado nacional e marco fundador da soberania do país, segundo a informação institucional disponibilizada pelo Portal do Governo de Moçambique.
Produção e produtividade apresentadas como “segunda independência”
Daniel Chapo afirmou que o país precisa de entrar numa etapa em que a soberania seja medida não apenas pela existência de instituições nacionais, fronteiras reconhecidas ou símbolos do Estado, mas também pela capacidade de produzir, criar emprego, gerar riqueza e reduzir a dependência económica externa.
“A segunda independência chama-se produção e produtividade, chama-se trabalho, disciplina, patriotismo e nacionalismo económico”, disse o Presidente.
A mensagem presidencial colocou a produção interna no centro da estratégia de desenvolvimento. Na avaliação apresentada durante as comemorações, Moçambique possui terras agrícolas, recursos minerais, rios, uma extensa costa marítima e uma população jovem, mas precisa converter esse potencial em crescimento económico com impacto directo nos rendimentos das famílias.
O apelo envolve diferentes sectores da economia. Na agricultura, significa aumentar a produtividade, melhorar o acesso a sementes, equipamentos, financiamento e mercados. Na indústria, pressupõe processar internamente uma parcela maior das matérias-primas extraídas ou produzidas no país. No comércio, implica criar condições para que empresas moçambicanas participem de forma mais ampla nas cadeias de fornecimento nacionais.
As prioridades mencionadas no discurso podem ser resumidas da seguinte forma:
- aumentar a produção e a produtividade nacionais;
- industrializar a economia e reduzir a exportação de matérias-primas sem transformação;
- valorizar os recursos naturais dentro de Moçambique;
- criar emprego, sobretudo para jovens;
- fortalecer empresas e produtores nacionais;
- promover disciplina, competência e responsabilidade no trabalho;
- combater a corrupção e o desvio de recursos públicos;
- assegurar que o crescimento económico beneficie a população.
Chapo defendeu que a independência económica depende de uma economia capaz de gerar oportunidades e sustentar as necessidades do Estado e das famílias. A orientação não foi apresentada como ruptura com a cooperação internacional, mas como reforço da capacidade de Moçambique para decidir, produzir e negociar a partir de uma posição económica mais sólida.
Corrupção apontada como obstáculo ao desenvolvimento
O Presidente associou a construção da independência económica ao combate à corrupção, à apropriação indevida de recursos públicos e à falta de responsabilização. Segundo Chapo, o país não poderá transformar as suas potencialidades em prosperidade enquanto fundos destinados a serviços públicos, infra-estruturas e programas de desenvolvimento forem desviados ou mal utilizados.
“Precisamos de fazer da honestidade, da integridade, do patriotismo, da competência e da responsabilidade valores inegociáveis da nossa vida nacional”, afirmou.
A declaração reforça uma linha já usada pelo chefe de Estado em outras intervenções públicas, nas quais a unidade e o trabalho são apresentados como condições para alcançar a independência económica. Em Fevereiro de 2026, durante as celebrações do Dia dos Heróis Moçambicanos, a Presidência também colocou a unidade nacional e o trabalho no centro da estratégia para aumentar a autonomia económica do país.
O Presidente não apresentou a corrupção apenas como um problema criminal ou administrativo. No discurso, o fenómeno foi relacionado directamente com a perda de recursos necessários para escolas, hospitais, estradas, sistemas de água, apoio à produção e criação de emprego.

Homenagem aos combatentes e às forças em Cabo Delgado
Durante a intervenção, Daniel Chapo prestou homenagem aos homens e mulheres que participaram na luta de libertação nacional. O chefe de Estado afirmou que a liberdade conquistada em 1975 resultou da coragem e do sacrifício de moçambicanos que enfrentaram o sistema colonial e lutaram pelo direito do país à autodeterminação.
A homenagem foi igualmente dirigida aos membros das Forças de Defesa e Segurança envolvidos no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. Chapo destacou o papel dos militares na defesa da população, da integridade territorial e da soberania nacional.
A referência a Cabo Delgado liga as comemorações da independência aos desafios actuais de segurança. A província enfrenta uma insurgência armada que provocou mortes, deslocações de comunidades e destruição de infra-estruturas. O Presidente colocou os militares que actuam no norte do país na continuidade do esforço de defesa da soberania moçambicana, embora em circunstâncias históricas diferentes das enfrentadas pelos combatentes da libertação.
Unidade nacional como condição para enfrentar as diferenças
A unidade nacional ocupou uma parte central da mensagem. Daniel Chapo pediu que diferenças políticas, sociais, regionais ou culturais não sejam utilizadas para dividir os moçambicanos nem comprometer objectivos de interesse nacional.
O chefe de Estado destacou a contribuição das mulheres, dos jovens, agricultores, trabalhadores, empresários, professores, profissionais de saúde e membros das forças de defesa e segurança. Cada grupo foi apresentado como parte da estrutura necessária para ampliar a produção, fortalecer os serviços públicos e garantir estabilidade.
“A maior riqueza de Moçambique não está apenas no subsolo, nos rios ou nos mares. A maior riqueza de Moçambique é o povo moçambicano”, declarou.
A frase sintetizou o argumento de que os recursos naturais, isoladamente, não garantem desenvolvimento. A exploração de gás, carvão, minerais, recursos agrícolas ou marítimos precisa de instituições funcionais, trabalhadores qualificados, empresas capazes de produzir e um Estado que assegure a aplicação dos rendimentos em benefício público.
O significado histórico do 25 de Junho
A independência de Moçambique foi proclamada por Samora Machel em 25 de Junho de 1975, após cerca de uma década de luta armada contra a administração colonial portuguesa. O processo político que antecedeu a proclamação incluiu a assinatura dos Acordos de Lusaca, em 7 de Setembro de 1974, e a formação de um Governo de Transição.
Desde então, o 25 de Junho é celebrado como o Dia da Independência Nacional. A data recorda a criação do Estado soberano moçambicano e presta homenagem aos combatentes, dirigentes e cidadãos que participaram no processo de libertação.
Cinquenta e um anos depois, Daniel Chapo procurou deslocar parte do debate para os resultados económicos e sociais da soberania. A mensagem central foi que a liberdade política precisa de ser acompanhada por capacidade produtiva, emprego, instituições responsáveis e aproveitamento interno dos recursos nacionais.
As comemorações decorreram sob apelos ao trabalho, à disciplina, à integridade e à participação colectiva. O Presidente defendeu que a construção de um Moçambique mais próspero não depende apenas das decisões do Governo, mas também da actuação dos cidadãos, produtores, empresas, funcionários públicos e instituições.
Para Daniel Chapo, a próxima etapa da independência será definida pela capacidade de Moçambique produzir riqueza, proteger os recursos públicos e transformar o potencial nacional em melhores condições de vida para a população.
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