infromoz.com

Água de furo pode ser bebida? Testes, contaminação e tratamento em Moçambique

Água de furo em Moçambique pode conter E. coli, nitratos, sais e metais. Saiba quais análises pedir, quando evitar o consumo e como ferver, desinfectar, filtrar e armazenar a água com segurança hoje.

Água de furo pode ser bebida apenas quando análises laboratoriais confirmam que cumpre os parâmetros microbiológicos, químicos e físicos aplicáveis ao consumo humano. A redacção do Infromoz informa, com base no Regulamento sobre a Qualidade da Água para o Consumo Humano de Moçambique, na Organização Mundial da Saúde e no UNICEF, que a aparência transparente, a ausência de cheiro e o sabor aparentemente normal não comprovam que a água seja potável.

Uma fonte subterrânea pode receber contaminação proveniente de latrinas, fossas, águas residuais, criação de animais, fertilizantes, combustíveis, infiltrações superficiais ou defeitos na construção do próprio furo. O problema pode estar presente desde a captação ou surgir posteriormente, durante o transporte, a passagem pelas tubagens e o armazenamento em depósitos domésticos. Dados publicados pelo UNICEF mostram que, em Moçambique, a contaminação também aumenta entre a fonte e o ponto onde a água é efectivamente utilizada nas casas.

Água subterrânea não é automaticamente potável

A perfuração atravessa diferentes camadas do solo até alcançar um aquífero, mas a profundidade do furo, por si só, não garante segurança. Um aquífero pode conter sais, ferro, manganês, fluoretos, nitratos ou outros componentes naturais. Também pode ser afectado por actividades humanas desenvolvidas nas proximidades.

O Diploma Ministerial n.º 180/2004 define como água potável aquela que é própria para consumo humano pelas suas características organolépticas, físicas, químicas e biológicas. O regulamento fixa parâmetros de qualidade e estabelece mecanismos de controlo destinados a proteger a saúde pública contra contaminações ocorridas desde a captação até à disponibilização ao consumidor.

“Água potável” é a água própria para consumo humano pelas suas qualidades organolépticas, físicas, químicas e biológicas.
(Definição constante do Regulamento sobre a Qualidade da Água para o Consumo Humano, aprovado pelo Ministério da Saúde de Moçambique.)

Uma água límpida pode conter bactérias, nitratos ou metais dissolvidos que não alteram visivelmente a sua cor.

A localização e a protecção sanitária do furo são determinantes. A entrada deve permanecer vedada, a plataforma deve permitir o escoamento da água para longe da boca do furo e a bomba, as tubagens e o depósito precisam de manutenção. A proximidade de fontes de poluição biológica ou química deve ser considerada desde a fase de instalação.

O regulamento moçambicano determina que a instalação ou modificação de sistemas destinados ao consumo humano seja acompanhada de informação sobre a localização da fonte, o processo de tratamento e a potencial existência de fontes de poluição biológica, química ou de outra natureza no local de captação ou a montante.

Quais análises devem ser feitas

O primeiro grupo de exames deve verificar a qualidade microbiológica. A presença de Escherichia coli, conhecida como E. coli, indica contaminação fecal e possibilidade de circulação de microrganismos capazes de provocar doenças gastrointestinais. Coliformes totais também são usados para avaliar a integridade sanitária da fonte, dos equipamentos e do sistema de armazenamento.

A análise básica deve incluir:

Em zonas próximas de agricultura intensiva, oficinas, postos de combustível, minas, depósitos de resíduos ou actividades industriais, o laboratório deve avaliar a necessidade de pesquisar pesticidas, hidrocarbonetos e metais específicos. A selecção não deve ser feita apenas pelo preço de um pacote genérico: precisa de considerar a localização, o uso do solo e os riscos existentes ao redor do furo.

A recolha da amostra também interfere no resultado. Para o exame microbiológico, deve ser usado um recipiente esterilizado fornecido ou aprovado pelo laboratório. A torneira precisa de ser preparada segundo as instruções técnicas, e a amostra deve ser transportada dentro do prazo e da temperatura definidos pelo laboratório. Frascos domésticos reutilizados podem contaminar a amostra e produzir um resultado enganador.

A dimensão da contaminação em Moçambique

O Perfil Nacional da Água Potável do UNICEF indica que, em 2024, Moçambique tinha cerca de 33,2 milhões de habitantes. O documento estimava que 10,4 milhões de pessoas, equivalentes a 31,3% da população, dependiam de fontes não melhoradas, enquanto 3,4 milhões utilizavam águas superficiais.

O mesmo perfil assinala que fontes não melhoradas eram, em média, seis vezes mais propensas à contaminação por matéria fecal do que fontes melhoradas. A classificação de uma fonte como melhorada, contudo, não substitui a análise da qualidade da água no ponto de consumo.

Um relatório temático do UNICEF baseado no Inquérito Demográfico e de Saúde de 2022 apresenta um quadro ainda mais directo: E. coli foi detectada na água usada por 89% da população nos domicílios, contra 67% na água medida na fonte. Entre crianças menores de cinco anos, os valores apresentados foram de 92% nos domicílios e 71% nas fontes.

“A água torna-se ainda mais contaminada entre a fonte e o ponto de utilização.”
(UNICEF Moçambique, síntese dos resultados de qualidade da água do Inquérito Demográfico e de Saúde de 2022.)

Os números mostram que o controlo não pode terminar na saída do furo. Bidões sujos, recipientes abertos, mãos contaminadas, copos mergulhados dentro do depósito e reservatórios sem limpeza podem reintroduzir microrganismos mesmo depois de a água ter sido tratada.

Quando a água não deve ser consumida

A água deve deixar de ser usada para beber, preparar alimentos, lavar utensílios de cozinha ou escovar os dentes quando houver resultado microbiológico impróprio, suspeita de contaminação química ou alteração súbita das características da fonte.

A interrupção é especialmente necessária quando ocorrer:

Ferver ou adicionar cloro não transforma em potável uma água contaminada por combustível, pesticidas, excesso de nitratos, sais ou metais.

Os métodos domésticos de desinfecção destinam-se principalmente ao controlo de microrganismos. O CDC informa que água com combustíveis, químicos tóxicos ou materiais radioactivos não se torna segura por fervura, cloração, filtração comum ou exposição solar. Nesses casos, é necessário usar outra fonte e identificar o contaminante por análise.

Como tratar água de furo em casa

O tratamento deve ser escolhido depois de conhecido o resultado laboratorial. Não existe um único filtro capaz de resolver todos os problemas.

A fervura é uma medida de desinfecção microbiológica. A OMS orienta que levar a água a uma fervura vigorosa elimina eficazmente agentes patogénicos. Depois, deve arrefecer num recipiente limpo e tapado, sem introdução de copos, mãos ou utensílios contaminados.

“Os agregados familiares podem desinfectar a água potável levando-a a uma fervura vigorosa.”
(Organização Mundial da Saúde, orientação sobre combate às doenças transmitidas pela água no nível doméstico.)

A cloração também actua contra muitos microrganismos, mas a dosagem depende da concentração do produto, da turbidez, do volume de água e do tempo de contacto. Devem ser usados apenas produtos destinados à desinfecção de água potável, seguindo rigorosamente as instruções do fabricante ou das autoridades sanitárias. Misturar doses por estimativa pode resultar em desinfecção insuficiente ou concentração inadequada.

A filtração deve corresponder ao problema detectado:

Um filtro simples de carvão não deve ser apresentado como solução para E. coli, nitratos, salinidade elevada ou todos os metais. A eficácia depende da tecnologia, da certificação, da instalação e da manutenção. Cartuchos saturados ou equipamentos sem limpeza podem perder eficiência e favorecer acumulação microbiológica.

Armazenamento seguro depois do tratamento

O recipiente deve estar limpo, protegido do sol directo, tapado e reservado para água potável. A retirada deve ocorrer por torneira ou por um utensílio limpo que não seja deixado dentro do reservatório. A OMS assinala que manter recipientes de armazenamento cobertos pode reduzir tanto a contaminação fecal como a reprodução de vectores.

Depósitos e tanques precisam de inspecção e limpeza periódicas. Rachaduras, tampas mal ajustadas, entrada de insectos, lama ou água da chuva comprometem o tratamento realizado anteriormente.

Após reparações, inundações ou desinfecção do furo e do reservatório, uma nova análise deve confirmar a qualidade antes da retoma do consumo. Para fontes individuais, o regulamento moçambicano atribui ao proprietário a responsabilidade de garantir o controlo da água para esse fim.

O procedimento seguro é directo: analisar, identificar o risco, seleccionar o tratamento correspondente e repetir o controlo. Sem resultado laboratorial, não é possível concluir que água de furo é própria para beber apenas pela aparência, profundidade ou uso prolongado da fonte.

Puedes leer sobre esto y otra información útil en nuestro sitio web. También te recomendamos leer: Sarampo na fronteira com Malawi: sintomas, vacinação e reforço para crianças em risco

Sair da versão mobile