O rastreio cardiovascular em Moçambique está a ser realizado por uma equipa composta por oito cardiologistas portugueses e um médico angolano, numa campanha dirigida às populações do norte do país. A iniciativa prevê avaliar cerca de 400 pessoas para identificar doenças cardiovasculares e fatores de risco associados, segundo informação divulgada pelo Canal S+ — informa InforMoz.
A missão médica junta nove especialistas de três nacionalidades numa região onde o acesso a exames cardiológicos é mais limitado do que nos principais centros urbanos. O trabalho está concentrado no rastreio e na identificação de pessoas que possam necessitar de acompanhamento clínico, sem que tenham sido divulgados, até ao momento, os nomes dos médicos, o calendário completo da campanha ou a distribuição exata dos exames por unidade sanitária.
Campanha prevê rastrear cerca de 400 pessoas
A informação disponível indica que a equipa é formada por oito cardiologistas portugueses e um angolano. Os profissionais participam numa campanha focada especificamente nas doenças cardiovasculares no norte de Moçambique.
Os principais dados confirmados sobre a operação são:
- nove médicos integram a equipa internacional;
- oito profissionais são portugueses e um é angolano;
- a campanha decorre no norte de Moçambique;
- cerca de 400 pessoas deverão ser avaliadas;
- o rastreio está direcionado para doenças cardiovasculares.
A composição da missão foi divulgada tanto pelo Canal S+ como pelo portal angolano VerAngola, que destacou a participação do especialista angolano no grupo. As duas publicações descrevem a ação como uma campanha de rastreio cardiovascular destinada a centenas de pessoas.
Não foram divulgados números preliminares de pessoas já examinadas, diagnósticos realizados ou encaminhamentos para unidades hospitalares. Também não há, nas informações publicadas, uma lista detalhada dos exames usados durante a campanha. Por esse motivo, não é possível afirmar que todos os participantes estejam a realizar eletrocardiogramas, ecocardiogramas ou análises laboratoriais específicas.
Doenças cardiovasculares são a quarta causa de morte em Moçambique
A realização da campanha ocorre num país onde as doenças do coração e dos vasos sanguíneos já representam um problema relevante de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde em Moçambique classifica as doenças cardiovasculares como a quarta principal causa de morte no território nacional.
Segundo a representação da OMS, “um em cada três moçambicanos tem hipertensão”, condição reconhecida como um dos principais fatores de risco para acidentes vasculares cerebrais. A organização acrescenta que, apenas na cidade de Maputo, são registados diariamente entre dois e três casos de acidente vascular cerebral, com uma taxa de letalidade de 40%.
Esses dados ajudam a explicar a importância clínica dos exames cardíacos gratuitos e de outras ações de deteção precoce. A hipertensão arterial pode evoluir sem sintomas evidentes durante anos. Quando não é identificada e controlada, aumenta o risco de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e outras complicações circulatórias.
A avaliação da pressão arterial é, por isso, uma das medidas centrais dos programas de prevenção cardiovascular. No entanto, a notícia sobre a atual campanha no norte de Moçambique não especifica quais procedimentos estão disponíveis nem quais critérios foram definidos para selecionar as cerca de 400 pessoas previstas.
Rastreio procura identificar riscos antes das complicações
O rastreio cardiovascular não corresponde, por si só, a um diagnóstico definitivo. A sua função é identificar sinais, sintomas ou indicadores que justifiquem uma investigação clínica mais aprofundada.
Quando uma alteração é encontrada, o paciente pode necessitar de consulta médica, repetição de medições, exames complementares ou acompanhamento numa unidade de saúde. A decisão depende dos resultados observados e da avaliação individual feita pelos profissionais.
Entre os problemas que podem ser procurados numa ação cardiovascular estão hipertensão arterial, alterações do ritmo cardíaco e sinais compatíveis com doenças do coração ou da circulação. Contudo, a equipa responsável não tornou pública uma lista dos diagnósticos abrangidos por esta missão, pelo que não é possível atribuir à campanha procedimentos que não tenham sido oficialmente descritos.
A Organização Mundial da Saúde aponta a hipertensão como um dos principais riscos cardiovasculares existentes em Moçambique. A entidade também relaciona a doença com a elevada incidência de acidentes vasculares cerebrais observada no país.

Norte de Moçambique recebe equipa internacional de cardiologia
A ação decorre fora da capital e concentra-se no norte do território moçambicano. A informação inicial não identifica todas as províncias, distritos ou unidades sanitárias abrangidas, embora as primeiras referências à campanha associem a operação à região norte.
A presença conjunta de médicos portugueses e de um especialista angolano dá à missão um caráter internacional. A participação dos nove cardiologistas permite realizar avaliações simultâneas e atender um número mais elevado de pessoas durante o período da campanha.
Os dados publicados não indicam se a equipa trabalha em parceria com hospitais, clínicas, autoridades sanitárias provinciais ou organizações não governamentais. Também não foram anunciados publicamente os custos da operação, as fontes de financiamento ou a duração total do trabalho.
O número de aproximadamente 400 beneficiários representa a meta divulgada para o rastreio. O balanço final, incluindo a quantidade efetiva de pessoas atendidas e os casos encaminhados para acompanhamento, deverá depender da conclusão das atividades e da publicação de novos dados pelos responsáveis.
Hipertensão afeta uma parcela elevada da população
O dado da OMS segundo o qual cerca de um terço dos moçambicanos vive com hipertensão mostra que o risco cardiovascular não está limitado a pessoas que já apresentam sintomas cardíacos. Muitos casos podem permanecer sem diagnóstico até ao aparecimento de complicações.
A World Heart Federation também mantém um relatório específico sobre a situação cardiovascular em Moçambique. O levantamento disponível aponta uma prevalência de pressão arterial elevada próxima de 31,5% da população analisada, valor compatível com a estimativa apresentada pela OMS.
O relatório reúne dados sobre doenças cardiovasculares, diabetes, tabagismo, colesterol elevado e políticas públicas relacionadas com as doenças não transmissíveis. Trata-se de informação de contexto nacional, e não de resultados da campanha atualmente conduzida pelos médicos estrangeiros.
O rastreio no norte do país terá uma dimensão limitada perante o número total de pessoas expostas a fatores de risco, mas permitirá avaliar diretamente centenas de moradores durante a missão.
Moçambique já recebeu outras ações de prevenção cardíaca
A atual campanha integra um histórico de iniciativas de prevenção cardiovascular realizadas no país. Em 2022, a World Heart Federation desenvolveu em Maputo o programa “Colours to Save Hearts”, centrado na prevenção e identificação da doença cardíaca reumática entre crianças em idade escolar.
O projeto foi executado em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde de Moçambique e com o Mozambique Institute for Health Education and Research. A iniciativa envolveu alunos, professores, pais e líderes comunitários, com informação sobre a relação entre infeções da garganta, febre reumática e lesões nas válvulas cardíacas.
Durante uma ação-piloto realizada entre 21 e 24 de março de 2022, crianças dos seis aos 15 anos foram avaliadas numa escola primária do distrito municipal de KaMavota, em Maputo. O procedimento incluiu avaliação clínica, auscultação com estetoscópio digital, ecografia cardíaca abreviada e testes rápidos para deteção de estreptococos do grupo A.
Esse programa anterior tinha como alvo principal a doença cardíaca reumática em crianças. A nova missão no norte de Moçambique foi apresentada de forma mais abrangente, como uma campanha para rastrear doenças cardiovasculares, sem indicação pública de uma faixa etária específica.
Resultados da campanha ainda deverão ser divulgados
A informação inicial confirma a mobilização dos nove cardiologistas e a previsão de avaliar cerca de 400 pessoas. Ainda não foi publicado um balanço com o número de exames concluídos, alterações detetadas ou pacientes encaminhados para acompanhamento especializado.
Também não foram divulgados:
- nomes e instituições de origem de todos os médicos;
- datas de início e encerramento da campanha;
- locais exatos de cada sessão de rastreio;
- critérios de inscrição ou seleção dos participantes;
- número de consultas já realizadas;
- resultados clínicos preliminares.
Até à divulgação de novos dados, esses são os limites factuais da informação disponível. A campanha confirma, contudo, a presença de uma equipa internacional de cardiologia no norte de Moçambique e uma meta objetiva: rastrear aproximadamente 400 pessoas para identificar possíveis doenças cardiovasculares e respetivos fatores de risco.
A iniciativa decorre num contexto em que a OMS coloca as doenças cardiovasculares entre as principais causas de morte em Moçambique e estima que a hipertensão afete cerca de um terço da população. Os resultados finais permitirão saber quantas pessoas foram efetivamente examinadas e quantas necessitarão de acompanhamento depois do rastreio.
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