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Gás pode transformar economia de Moçambique: Estado poderá receber USD 4 mil milhões por ano

Gás natural Moçambique poderá acrescentar USD 11 mil milhões ao PIB e gerar USD 4 mil milhões anuais em receitas fiscais, segundo estudo do Standard Bank sobre o Rovuma LNG.

O gás natural em Moçambique poderá gerar cerca de 4 mil milhões de dólares por ano em receitas fiscais para o Estado e acrescentar, em média, aproximadamente 11 mil milhões de dólares anuais ao Produto Interno Bruto do país. As projecções constam de um estudo macroeconómico actualizado sobre o projecto Rovuma LNG, divulgado pelo Standard Bank e elaborado em parceria com a consultora Conningarth Economists, informa a redacção do InforMoz.

O relatório estima ainda que o empreendimento liderado pela ExxonMobil na Área 4 da Bacia do Rovuma poderá sustentar aproximadamente 151 mil postos de trabalho directos, indirectos e induzidos. A análise cobre o período entre 2025 e 2056 e considera uma capacidade de produção ampliada para 18 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano, acima dos 15,2 milhões previstos no plano inicial.

Rovuma LNG poderá acrescentar USD 11 mil milhões ao PIB por ano

A principal conclusão do estudo é a dimensão do possível impacto do Rovuma LNG sobre a economia nacional. Quando estiver plenamente operacional, o projecto poderá acrescentar cerca de 11 mil milhões de dólares, em média, ao PIB moçambicano todos os anos.

O cálculo inclui não apenas a produção e exportação de gás natural liquefeito, mas também a actividade económica criada ao longo da cadeia de fornecimento. Entram nessa estimativa os serviços contratados, a construção, os transportes, a logística, o comércio, o fornecimento de equipamentos e os rendimentos gerados pelos trabalhadores e pelas empresas envolvidas.

O impacto projectado ultrapassa o sector extractivo e alcança diferentes áreas da economia moçambicana.

O estudo prevê que o crescimento económico real anual de Moçambique possa subir de 3,3% para 4,1% com a operação do projecto. A diferença de 0,8 ponto percentual representa o efeito médio estimado durante o período analisado e não apenas durante a fase de construção.

Segundo o Standard Bank, os principais resultados previstos são:

A contribuição anual para o Rendimento Nacional Bruto poderá atingir aproximadamente 6 mil milhões de dólares. O rendimento médio das famílias, de acordo com o modelo económico utilizado no relatório, poderá aumentar 21%.

Receitas do gás podem reforçar as finanças públicas

Os cerca de 4 mil milhões de dólares anuais correspondem à estimativa de receitas do gás que poderão chegar ao Estado através de impostos e de outros mecanismos fiscais associados ao projecto.

A projecção não descreve uma entrada imediata desse valor nos cofres públicos em 2026. O estudo avalia o impacto ao longo da vida económica do Rovuma LNG, considerando o investimento, o início da produção, o aumento gradual da capacidade e a operação comercial até 2056.

A produção está actualmente prevista para começar em 2030. Antes dessa fase, o investimento necessário é estimado em aproximadamente 30 mil milhões de dólares, tornando o Rovuma LNG, segundo o Standard Bank, um dos maiores projectos comerciais realizados no continente africano.

Bernardo Aparício, administrador-delegado do Standard Bank, afirmou durante a apresentação do estudo que as receitas fiscais terão influência directa sobre as contas públicas.

“As receitas fiscais desempenharão um papel crítico na redução da dívida soberana e no reforço do investimento público em áreas críticas para o desenvolvimento do país” (Bernardo Aparício, administrador-delegado do Standard Bank, durante o lançamento do estudo em Maputo, em Junho de 2026).

A aplicação dessas receitas dependerá das decisões orçamentais do Estado, da execução das regras fiscais e dos mecanismos definidos para a gestão dos recursos provenientes da exploração de gás.

O estudo identifica o reforço das finanças públicas como um dos efeitos centrais do projecto, juntamente com o emprego e o crescimento das exportações.

Projecto poderá sustentar 151 mil empregos

O relatório estima que o Rovuma LNG poderá criar ou sustentar aproximadamente 151 mil postos de trabalho. Esse número inclui empregos directos, indirectos e induzidos durante as diferentes fases do empreendimento.

Os empregos directos correspondem às actividades executadas no próprio projecto. Os indirectos surgem nas empresas fornecedoras de materiais, serviços, transporte, alimentação, manutenção e logística. Os empregos induzidos resultam do consumo realizado pelos trabalhadores e pelas empresas que recebem rendimentos ligados ao projecto.

Durante a fase operacional, o número de postos directos deverá situar-se perto de mil. A maior parte dos 151 mil empregos estimados deverá, portanto, surgir fora da operação directa das instalações de liquefacção.

João Guirengane, director da Banca Corporativa e de Investimento do Standard Bank, destacou que o efeito económico dependerá da circulação dos rendimentos dentro do país.

“Espera-se que o projecto Rovuma LNG produza um efeito multiplicador, uma vez que os proveitos gerados poderão ser canalizados para reforçar a estratégia nacional de desenvolvimento” (João Guirengane, durante a apresentação do estudo macroeconómico do Standard Bank, em Junho de 2026).

O conteúdo local será uma das áreas avaliadas pelo Governo na análise da emenda ao Plano de Desenvolvimento. O processo inclui matérias relacionadas com a participação de empresas moçambicanas, formação profissional, fornecimento de bens e serviços e disponibilização de gás para o mercado nacional.

Capacidade de produção foi elevada para 18 milhões de toneladas

A versão inicial do Rovuma LNG previa dois módulos de liquefacção com capacidade de 7,6 milhões de toneladas por ano cada, totalizando 15,2 milhões de toneladas anuais. O projecto utilizará o gás do campo Mamba, localizado na Área 4 Offshore da Bacia do Rovuma.

O novo estudo do Standard Bank considera uma capacidade de 18 milhões de toneladas por ano quando o empreendimento estiver plenamente operacional. A actualização baseia-se em dados mais recentes fornecidos pela ExxonMobil e altera as estimativas económicas calculadas no relatório anterior, publicado em Março de 2019.

A Área 4 tem como concessionários:

A área situa-se ao largo da costa de Cabo Delgado, aproximadamente 250 quilómetros a nordeste da cidade de Pemba. Os recursos do campo Mamba serão processados em instalações terrestres destinadas à produção de gás natural liquefeito para exportação.

Plano de Desenvolvimento está em avaliação técnica

O Instituto Nacional de Petróleo coordena a avaliação da proposta de emenda ao Plano de Desenvolvimento do Rovuma LNG, apresentada pelos parceiros da Área 4.

A análise envolve uma equipa técnica multissectorial do Governo. Entre as matérias examinadas estão a viabilidade económica, o financiamento, a tributação, o conteúdo local, o plano de exploração do depósito e a quantidade de gás destinada ao mercado doméstico.

O Conselho de Ministros criou, através da Resolução n.º 16/2026, de 6 de Março, um Comité Interministerial de Coordenação para acompanhar a revisão dos planos dos projectos Rovuma LNG e Golfinho/Atum.

A proposta em análise altera o plano aprovado pelo Governo em Junho de 2019. A Decisão Final de Investimento deverá ser anunciada depois da aprovação da emenda, após a conclusão da avaliação técnica.

Nazário Bangalane, presidente do Conselho de Administração do INP, afirmou que existe interesse em acelerar o processo dentro das normas legais.

“Tratando-se de um projecto estruturante para Moçambique, com potencial para contribuir para a arrecadação de receitas, dinamizar a economia, reforçar o conteúdo local e assegurar a alocação de mais gás natural ao mercado doméstico, existe interesse em que o processo decorra com celeridade” (Nazário Bangalane, presidente do INP, em comunicado oficial de 20 de Maio de 2026).

Fundo Soberano poderá acumular USD 81 mil milhões

O estudo também incorpora a criação do Fundo Soberano de Moçambique, que iniciou operações em Dezembro de 2025. O mecanismo foi incluído no modelo para avaliar quanto o país poderá poupar durante a exploração dos recursos naturais.

A projecção indica que o Fundo Soberano poderá acumular, em termos reais, um saldo de até 81 mil milhões de dólares até 2056. Esse valor depende da entrada das receitas projectadas, das regras de transferência para o fundo, dos levantamentos realizados pelo Estado e do desempenho dos investimentos.

A função do mecanismo é separar uma parte das receitas para poupança de longo prazo, enquanto outra parcela pode ser destinada ao Orçamento do Estado de acordo com as normas aplicáveis.

O valor de USD 81 mil milhões representa uma projecção acumulada até ao fim do período analisado, e não uma receita anual.

Balança de pagamentos poderá receber USD 9 mil milhões por ano

As exportações de gás natural liquefeito deverão aumentar a entrada de moeda estrangeira em Moçambique. O Standard Bank estima uma contribuição anual de aproximadamente 9 mil milhões de dólares para a balança de pagamentos.

Esse fluxo poderá resultar das receitas de exportação, da entrada de investimento estrangeiro e dos pagamentos realizados por compradores internacionais do gás produzido na Bacia do Rovuma.

Moçambique já exporta gás natural liquefeito através do Coral Sul FLNG. Segundo o Instituto Nacional de Petróleo, desde o início da produção, em Outubro de 2022, até Dezembro de 2025, o projecto produziu aproximadamente 9,49 milhões de toneladas de LNG. Foram exportados cerca de 21,55 milhões de metros cúbicos em 127 carregamentos.

O Rovuma LNG terá uma escala superior à do Coral Sul e será desenvolvido em terra. A produção projectada de 18 milhões de toneladas por ano deverá ampliar de forma significativa o peso do gás nas exportações nacionais.

Economia moçambicana em 2026 aguarda decisão sobre o investimento

A economia moçambicana em 2026 ainda não recebe os valores anuais estimados no estudo. O Rovuma LNG permanece na fase de avaliação da emenda ao Plano de Desenvolvimento, antes da Decisão Final de Investimento e do início das obras em grande escala.

As projecções divulgadas pelo Standard Bank descrevem o impacto económico esperado quando o projecto entrar em operação e alcançar a capacidade prevista. O calendário apresentado no relatório aponta para o início da produção em 2030 e analisa os resultados até 2056.

Os números centrais permanecem ligados ao mesmo empreendimento: USD 11 mil milhões por ano para o PIB, USD 4 mil milhões em receitas fiscais, USD 9 mil milhões para a balança de pagamentos e cerca de 151 mil empregos directos, indirectos e induzidos.

A dimensão efectiva desses resultados será determinada pela aprovação do plano revisto, pela Decisão Final de Investimento, pela execução das obras, pelo calendário de produção e pela participação das empresas e dos trabalhadores moçambicanos na cadeia económica do Rovuma LNG.

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