A inflação em Moçambique desacelerou para 6,45% em Agosto de 2026, depois de ter ficado em 7,48% em Julho. No próprio mês, os preços ao consumidor recuaram 0,28% face a Julho, enquanto a inflação acumulada desde Janeiro desceu para 4,83%, mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), informa a redacção InforMoz.
A redução foi sentida sobretudo nos alimentos frescos: tomate, alface, repolho, cebola e feijão-manteiga ficaram mais baratos. Mas a leitura geral do índice exige cautela. Cimento, milho, peixe, galinha viva e outros produtos continuaram a subir, enquanto os transportes permanecem entre os grupos que mais pressionam o custo de vida das famílias moçambicanas.
Inflação de Agosto: os principais números
Os dados de Agosto marcam o segundo mês consecutivo de queda mensal dos preços. Em Julho, o Índice de Preços no Consumidor tinha recuado 0,26%; em Agosto, a descida aprofundou-se ligeiramente para 0,28%.
| Indicador | Julho de 2026 | Agosto de 2026 |
|---|---|---|
| Inflação mensal | -0,26% | -0,28% |
| Inflação homóloga | 7,48% | 6,45% |
| Inflação acumulada no ano | 5,12% | 4,83% |
| Inflação média de 12 meses | — | 5,01% |
A taxa de 6,45% corresponde à comparação entre Agosto de 2026 e Agosto de 2025. Isso não significa que os preços estejam 6,45% mais baixos: significa que, em média, o cabaz utilizado no IPC continuava mais caro do que um ano antes, mas o ritmo de crescimento dos preços diminuiu.
O INE indica ainda que o índice nacional se situou em 114,41 pontos em Agosto.
“As divisões de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas e de vestuário e calçado foram as que mais contribuíram para a desaceleração.”
— Banco de Moçambique, 11 de Setembro de 2026.
O movimento representa uma mudança relevante em relação a Junho, quando a inflação homóloga tinha atingido 7,51%. A evolução anterior pode ser consultada na análise sobre a inflação de Junho e a pressão dos alimentos, transportes e cimento.
O que ficou mais barato em Agosto
A principal contribuição para a queda mensal do IPC em Moçambique veio da divisão de Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas. Só esse grupo retirou aproximadamente 0,33 ponto percentual à inflação mensal.
O tomate apresentou a maior redução entre os produtos de consumo corrente destacados pelo INE: o preço caiu 16,3%. A alface baixou 9,8% e o repolho, 6,7%.
Também houve reduções na cebola, no feijão-manteiga e no carapau.
| Produto ou serviço | Variação em Agosto |
|---|---|
| Tomate | -16,3% |
| Alface | -9,8% |
| Repolho | -6,7% |
| Cebola | -2,8% |
| Feijão-manteiga | -1,6% |
| Carapau | -0,6% |
| Refeições completas em restaurantes | -0,3% |
Em conjunto, estes produtos e serviços retiraram aproximadamente 0,38 ponto percentual da variação mensal do índice.
A redução mostra como os produtos frescos conseguem alterar rapidamente o índice quando existe maior disponibilidade no mercado. Para uma família, porém, o efeito concreto depende do peso desses alimentos nas compras mensais e da cidade onde vive.
Os dados anuais também mostram desaceleração expressiva na divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas: a inflação desta categoria passou de 12,62% em Julho para 8,91% em Agosto.
Cimento, milho e peixe ainda ficaram mais caros
A deflação mensal não foi generalizada. Alguns produtos apresentaram aumentos significativos e continuam a pressionar determinadas despesas familiares e empresariais.
A manga seca teve a maior variação percentual entre os produtos destacados, com subida de 53%. O cimento aumentou 3,1%, assim como o milho em grão.
O camarão seco encareceu 3,3%, enquanto a galinha viva subiu 1,4%.
Os aumentos registados foram:
- manga seca: +53,0%;
- camarão seco: +3,3%;
- cimento: +3,1%;
- milho em grão: +3,1%;
- galinha viva: +1,4%;
- peixe fresco: +0,6%;
- peixe seco: +0,5%.
Estes produtos acrescentaram aproximadamente 0,14 ponto percentual ao índice mensal, compensando parcialmente a queda dos alimentos que ficaram mais baratos.
O comportamento do frango merece atenção porque a cadeia de produção já vinha enfrentando custos elevados de pintos, ração e outros insumos. Uma análise anterior sobre o preço do frango em Moçambique e os custos de criação mostrou como essas despesas podem chegar ao consumidor final.

Transportes continuam entre as maiores pressões sobre o custo de vida
Embora os alimentos tenham puxado a inflação para baixo no mês, os preços em Moçambique continuam condicionados por despesas que acumulam fortes aumentos ao longo de 2026.
Entre Janeiro e Agosto, a divisão dos Transportes contribuiu com aproximadamente 2,05 pontos percentuais para a inflação acumulada. Alimentação e Bebidas Não Alcoólicas acrescentaram cerca de 1,52 ponto percentual.
Na comparação anual, os preços dos transportes continuavam a crescer 14,77% em Agosto, apenas ligeiramente abaixo dos 14,87% registados em Julho. Trata-se de uma variação muito superior à inflação geral de 6,45%.
A razão está também na trajectória dos combustíveis durante 2026. Os aumentos registados anteriormente tiveram efeitos sobre deslocações, distribuição de alimentos, transporte de mercadorias e custos operacionais das empresas.
Mesmo quando determinados alimentos ficam temporariamente mais baratos, transporte caro pode continuar incorporado no preço final de muitos bens.
Todas as cidades acompanhadas registaram queda mensal
A descida dos preços não ficou concentrada numa única região. Todos os centros urbanos acompanhados pelo INE apresentaram variação mensal negativa em Agosto.
Xai-Xai registou a queda mais forte, de 1,21%. Seguiram-se Beira, Nampula e Tete.
| Cidade | Variação mensal em Agosto |
|---|---|
| Xai-Xai | -1,21% |
| Beira | -0,51% |
| Nampula | -0,32% |
| Tete | -0,29% |
| Maputo | -0,12% |
| Quelimane | -0,12% |
A situação muda quando se observa a inflação homóloga. Tete apresentava uma taxa de 10,71%, enquanto Maputo registava 4,08%, segundo os dados divulgados a partir do IPC.
Isso demonstra que o custo de vida em Moçambique não evolui de forma uniforme. Uma descida de preços num único mês pode ocorrer numa cidade que ainda acumula uma inflação elevada quando comparada com o mesmo período do ano anterior.
Porque a inflação caiu de 7,48% para 6,45%
A diferença de mais de um ponto percentual na inflação homóloga resulta principalmente do comportamento dos alimentos e do chamado efeito de base.
A inflação dos alimentos e bebidas não alcoólicas caiu de 12,62% para 8,91%. Vestuário e calçado desaceleraram de 4,81% para 4,18%, enquanto restaurantes e hotéis passaram de 4,22% para 3,98%.
Ao mesmo tempo, Agosto de 2026 passou a ser comparado com Agosto de 2025. Quando aumentos fortes ocorridos no período anterior deixam de entrar da mesma forma na comparação, a taxa homóloga pode baixar mesmo que vários produtos permaneçam caros.
Por isso, uma inflação menor não deve ser confundida com um regresso automático aos preços antigos. O índice mede o ritmo da mudança dos preços, não uma reversão integral dos aumentos acumulados.

O Banco de Moçambique mantém a taxa MIMO em 9,25%
O comportamento da inflação continua directamente ligado às decisões de política monetária. Em 29 de Julho, o Banco de Moçambique manteve a taxa MIMO em 9,25%.
“O Comité de Política Monetária decidiu manter a taxa de juro de política monetária, taxa MIMO, em 9,25%.”
— Banco de Moçambique, 29 de Julho de 2026.
O banco central justificou a decisão pela redução da liquidez em moeda nacional, mas continuou a identificar riscos relacionados com a conjuntura internacional, cadeias logísticas e preços dos combustíveis.
“Prevalecem elevados riscos e incertezas associados às projecções de inflação.”
— Banco de Moçambique, comunicado de política monetária de Julho de 2026.
Esses riscos são relevantes porque Moçambique continua exposto aos preços internacionais de combustíveis, alimentos e transporte marítimo.
A estabilidade do metical também influencia os preços dos bens importados. Para compreender essa diferença entre a taxa oficial e os valores cobrados no mercado, veja a análise sobre o dólar para metical e as taxas praticadas por bancos e casas de câmbio.
Inflação mais baixa não significa que as famílias já gastam menos
A queda para 6,45% de inflação melhora o quadro macroeconómico, mas o impacto no orçamento familiar é desigual.
Uma família que compra grandes quantidades de tomate, alface e outros produtos frescos pode ter observado alguma redução imediata nas despesas. Já quem depende diariamente de transporte ou está a construir uma casa continua exposto a categorias que acumulam aumentos importantes.
Também há uma diferença entre preço e rendimento. Mesmo quando a inflação desacelera, o poder de compra só melhora de forma efectiva se os rendimentos acompanharem o nível de despesas.
A economia, entretanto, apresentou sinais de recuperação no segundo trimestre. O PIB aumentou 1,74% em termos homólogos, depois de crescer apenas 0,05% no primeiro trimestre. A evolução dos principais sectores pode ser consultada na análise sobre o crescimento do PIB de Moçambique no segundo trimestre de 2026.
O que observar nos próximos meses
O resultado de Agosto reforça uma tendência de desaceleração depois do pico recente observado em Junho. Julho e Agosto registaram deflação mensal consecutiva.
Mas existem quatro pontos que devem determinar o comportamento do IPC de Moçambique nos próximos meses:
- evolução dos preços dos combustíveis e dos transportes;
- disponibilidade e preços dos alimentos frescos;
- comportamento do metical face às principais moedas;
- custos internacionais de energia, alimentos e logística.
“A inflação anual desacelera para 6,45% em Agosto.”
— Banco de Moçambique, informação publicada em 11 de Setembro de 2026.
Se a queda dos alimentos continuar e não houver novos choques significativos nos combustíveis ou nas importações, a pressão sobre o índice pode continuar moderada. O dado decisivo, porém, será verificar se essa desaceleração se espalha por mais categorias e começa a ser percebida de forma consistente nas despesas das famílias.
Perguntas frequentes
Qual foi a inflação em Moçambique em Agosto de 2026?
A inflação homóloga ficou em 6,45%, abaixo dos 7,48% registados em Julho. No mês, os preços caíram 0,28% face a Julho.
Quanto está a inflação acumulada em Moçambique em 2026?
Entre Janeiro e Agosto, a inflação acumulada ficou em 4,83%, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
Quais produtos ficaram mais baratos em Agosto?
Entre as maiores quedas estão tomate (-16,3%), alface (-9,8%), repolho (-6,7%), cebola (-2,8%), feijão-manteiga (-1,6%) e carapau (-0,6%).
O que ficou mais caro?
Manga seca (+53%), camarão seco (+3,3%), cimento (+3,1%), milho em grão (+3,1%), galinha viva (+1,4%), peixe fresco (+0,6%) e peixe seco (+0,5%) registaram aumentos.
Os transportes ficaram baratos em Agosto?
A pressão anual dos transportes continua elevada. A inflação desta divisão estava em aproximadamente 14,77% em Agosto, muito acima da inflação geral de 6,45%.
A queda da inflação significa que os preços voltaram aos níveis anteriores?
Não. Uma inflação mais baixa significa que os preços estão a aumentar mais lentamente na comparação anual. A deflação mensal de Agosto indica uma pequena redução média face a Julho, mas não elimina os aumentos acumulados anteriormente.
Qual é actualmente a taxa MIMO em Moçambique?
A taxa MIMO foi mantida em 9,25% pelo Banco de Moçambique na reunião de política monetária de 29 de Julho de 2026.
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