Preço do frango em Moçambique chegou recentemente aos 350 meticais por unidade em partes de Inhambane, enquanto o preço de um pinto de corte subiu de cerca de 55 para 85 meticais durante um período de escassez. A redação do Infromoz relatou em dezembro de 2025 que a subida não ocorreu apenas no produto final: criadores apontaram aumentos nos pintos, na ração, nos medicamentos veterinários e no transporte.
Para quem pensa em criar frangos em casa para reduzir despesas, a comparação não pode ser feita apenas entre os 85 meticais do pinto e os 350 meticais cobrados pela ave pronta. O maior peso da conta está na alimentação durante as semanas de engorda, além de vacinas, água, energia ou combustível para aquecimento, cama, equipamentos e eventuais perdas de aves.
Quando já existe um espaço adequado e os equipamentos podem ser usados em vários ciclos, a criação doméstica pode custar menos por ave; começar do zero muda significativamente a conta.
O preço do frango chegou a 350 meticais em Inhambane
Em 15 de dezembro de 2025, O País registou na província de Inhambane uma subida do preço de aproximadamente 300 para 350 meticais por frango. A pressão foi associada principalmente à falta de pintos disponíveis para os produtores e ao aumento generalizado dos insumos utilizados na criação.
Na cidade da Maxixe, produtores relataram ainda que algumas aves existentes nos aviários não tinham atingido o tamanho necessário para comercialização.
“Aqui na cidade da Maxixe existe frango, são muitos nas capoeiras, só que ainda não cresceram.”
(Luísa Manuel, vendedeira de frango na Maxixe, ao O País, dezembro de 2025)
O representante da Associação dos Avicultores citado pela mesma publicação, Eduardo Lichucha, informou que o pinto normalmente custava aproximadamente 55 meticais, mas chegou aos 85 meticais durante a escassez iniciada em outubro.
“O pinto não só subiu de preço, mas também deixou de estar disponível.”
(Eduardo Lichucha, Associação dos Avicultores, ao O País, dezembro de 2025)
Isso significa que, antes mesmo de alimentar a ave, um criador que comprasse o pinto no pico referido já começava o ciclo com um custo de 85 meticais por unidade.
A ração é a parte decisiva da conta
O preço do pinto sozinho não permite saber se criar em casa é mais barato. O consumo de ração durante o crescimento é muito maior do que o peso inicial da ave faz parecer.
Os objetivos técnicos publicados pela Cobb para o frango Cobb500 indicam, em condições de referência, consumo acumulado de aproximadamente 3,635 kg de ração aos 35 dias, quando a ave pode atingir cerca de 2,52 kg de peso vivo. Aos 42 dias, o consumo acumulado de referência sobe para aproximadamente 5,1 kg.
O documento técnico pode ser consultado diretamente no Cobb Broiler Performance & Nutrition Supplement.
Uma referência comercial de março de 2025 ajuda a dimensionar esse custo em Moçambique. Uma factura proforma da Casa do Agricultor para ração A1 BIKA+ registava 2.440 meticais por saco de 50 kg, equivalente a 48,8 meticais por quilograma.
Aplicando esse preço ao consumo técnico de 3,635 kg aos 35 dias, apenas a ração representa cerca de 177 meticais por ave. Acrescentando o pinto, o custo básico aproximado fica em:
- com pinto a 55 MT: cerca de 232 MT por ave apenas em pinto e ração;
- com pinto a 85 MT: cerca de 262 MT por ave apenas em pinto e ração.
Esses valores não incluem vacinação, medicamentos, cama, água, aquecimento, iluminação, transporte, comedouros, bebedouros, desinfecção nem perdas durante o ciclo.
É precisamente nesses custos adicionais que desaparece parte da diferença entre criar uma ave e comprá-la pronta.

Criar por 232 ou 262 meticais não significa ter um frango pronto por esse preço
Uma comparação directa com o frango vendido a 350 meticais mostra uma diferença bruta de aproximadamente 88 a 118 meticais por ave nos dois cenários acima. Mas essa margem ainda precisa pagar todos os restantes custos de criação.
Documentos utilizados pelo próprio Estado moçambicano em processos de aquisição para projectos avícolas mostram que uma criação não depende apenas de pintos e alimentação. Um caderno de encargos da Unidade Funcional de Supervisão das Aquisições previa a compra de pintos de corte e rações A1 e A2, enquanto outros programas avícolas incluem igualmente vacinas, comedouros, bebedouros e equipamentos de aquecimento.
A formação para pequenos criadores de frangos utilizada em Moçambique também identifica como custos directos e fixos itens como:
- pintos, vacinas, ração, desinfectantes e embalagem;
- manutenção, transporte e depreciação dos equipamentos;
- salários ou mão-de-obra quando a criação deixa de ser exclusivamente familiar.
Para uma família que já possui capoeira adequada, bebedouros e comedouros, esses equipamentos podem ser distribuídos por vários ciclos. Para quem precisa comprar tudo para criar apenas dez ou vinte aves, o custo inicial por frango sobe de forma muito mais rápida.
Mortalidade também altera o custo por frango que chega à cozinha
Há outro elemento que não aparece no preço da loja: nem todo pinto comprado chega ao fim do ciclo.
Se uma família compra um lote de aves e perde algumas durante a criação, o dinheiro gasto com esses pintos, ração e medicamentos precisa ser absorvido pelas aves sobreviventes. Por isso, avicultores profissionais calculam o custo com base no número efetivamente produzido e não apenas no número inicialmente alojado.
O problema torna-se especialmente relevante quando há dificuldades sanitárias ou pintos inadequados para produção de carne. Em dezembro de 2021, por exemplo, O País relatou casos de produtores que receberam galitos machos de linhagens poedeiras no lugar de pintos destinados ao corte.
Zeiss Lacerda, então secretário-executivo da Associação Moçambicana da Indústria Avícola, explicou a diferença:
“O galito em si não é o pinto com má qualidade.”
(Zeiss Lacerda, AMIA, ao O País, Maputo, dezembro de 2021)
Segundo a reportagem, enquanto o frango de corte possui ciclo de aproximadamente 30 a 45 dias, os galitos referidos podiam levar cerca de 18 semanas para crescer.
Então, qual opção sai mais barata?
Com os preços documentados disponíveis, criar em casa pode sair mais barato quando a família já dispõe da estrutura e consegue comprar pintos e ração sem preços inflacionados.
Usando como referência um pinto entre 55 e 85 meticais, uma ração a 2.440 MT por 50 kg e o consumo técnico de 3,635 kg aos 35 dias, pinto mais alimentação ficam entre aproximadamente 232 e 262 meticais por ave. O frango pronto foi vendido a cerca de 350 meticais em Inhambane no período analisado.
A diferença, porém, não deve ser tratada como lucro ou economia automática. É necessário acrescentar vacina, medicamentos, energia, água, cama e perdas.
Na prática, a conta favorece mais a criação quando três condições estão reunidas:
- equipamentos e espaço já existem e serão usados em vários ciclos;
- pintos e ração são comprados a preços competitivos;
- a mortalidade é baixa e as aves atingem o peso pretendido dentro do ciclo previsto.
Para uma família que precisa construir instalações, comprar todos os equipamentos e criar um lote pequeno, comprar o frango pronto pode ser financeiramente mais simples.
Preços dos alimentos continuam sob pressão em Moçambique
O contexto geral de preços também precisa ser considerado. O Instituto Nacional de Estatística de Moçambique informou que a inflação homóloga nacional chegou a 7,51% em junho de 2026, enquanto a inflação acumulada desde o início do ano atingiu 5,40%.
Na cidade de Xai-Xai, o INE registou inflação homóloga de 8,96% em junho de 2026. Esses números não correspondem especificamente ao preço do frango, mas mostram o ambiente geral em que famílias e criadores estão a comprar alimentos e outros insumos.
O episódio de Inhambane também demonstra como alterações num único componente podem atingir rapidamente o consumidor. O pinto passou de aproximadamente 55 para 85 meticais, e produtores disseram que ração e medicamentos também ficaram mais caros. O resultado observado no mercado foi a passagem do frango de cerca de 300 para 350 meticais por unidade.
Para decidir entre criar e comprar, portanto, o número decisivo não é o preço do pinto: é o custo total por frango que efetivamente chega ao peso de consumo.
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