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Daniel Chapo convida grupos armados de Cabo Delgado a sair das matas e aderir ao diálogo

Daniel Chapo convidou os grupos armados de Cabo Delgado a sair das matas e aderir ao diálogo, defendendo a paz como condição para estradas, emprego, gás e desenvolvimento provincial.

Daniel Chapo convidou os grupos armados de Cabo Delgado ao diálogo, apelando aos seus integrantes para abandonarem as matas e participarem num processo orientado para a paz e o desenvolvimento de Moçambique. A declaração foi feita nesta segunda-feira, 29 de Junho, durante um comício no distrito de Montepuez, no primeiro dia de uma visita de trabalho do Presidente da República à província, conforme noticia a redacção do Infromoz, com base nas informações da Rádio Moçambique.

O chefe de Estado dirigiu o apelo aos grupos responsáveis pelos ataques armados registados em Cabo Delgado desde 2017. Chapo afirmou que as pessoas envolvidas devem deixar os esconderijos, regressar ao convívio social e aceitar o diálogo como caminho para resolver o conflito. A mensagem associou directamente a procura da paz à recuperação económica, à prestação de serviços públicos e à execução dos projectos previstos para a província.

“O mato foi feito para animais e não para o ser humano”, declarou Daniel Chapo, ao defender que os integrantes dos grupos armados devem sair das matas e apresentar-se para dialogar (Daniel Chapo, durante o comício popular realizado em Montepuez, Cabo Delgado, em 29 de Junho de 2026).

O Presidente disse que Moçambique precisa de paz para avançar com o desenvolvimento e indicou que o diálogo deve servir de base para o fim da violência. A intervenção ocorreu perante residentes, dirigentes locais, funcionários públicos e representantes de diferentes sectores da sociedade presentes no comício.

Chapo coloca o diálogo no centro da mensagem em Montepuez

Daniel Chapo afirmou que os ataques em Cabo Delgado afectam todo o país e não apenas as comunidades directamente atingidas na província. Segundo o Presidente, a unidade nacional faz com que cada ataque cometido no norte seja sentido por cidadãos de outras regiões de Moçambique.

“Atacar Cabo Delgado é como atacar todo Moçambique. O povo moçambicano é um povo unido, do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico, é um único povo. Quando os terroristas atacam os nossos irmãos em Cabo Delgado, é uma dor que todos nós, como moçambicanos, sentimos”, afirmou o chefe de Estado durante o comício.

Chapo reiterou que o Executivo continua empenhado em pôr fim aos ataques e consolidar a paz. Segundo a Rádio Moçambique, o Presidente afirmou que o Governo pretende manter uma governação próxima dos cidadãos, responder aos problemas enfrentados pelas comunidades e garantir condições para o desenvolvimento socioeconómico.

A mensagem presidencial concentrou-se em três pontos:

O Presidente não apresentou, durante o discurso divulgado, um calendário para contactos, nomes de interlocutores ou condições formais para uma eventual negociação. O apelo foi dirigido de forma geral aos integrantes dos grupos que continuam envolvidos nos ataques.

“A base para a paz é o diálogo”, afirma o Presidente

Ao aproximar-se do final da intervenção em Montepuez, Daniel Chapo resumiu a posição apresentada pelo Governo numa frase: “A base para a paz é o diálogo”.

A declaração reforçou uma posição já manifestada pelo Presidente em ocasiões anteriores: o Estado continuará a combater os ataques, mas admite o diálogo como uma das vias para alcançar a segurança em Cabo Delgado. No discurso desta segunda-feira, a proposta foi dirigida directamente às pessoas que permanecem nas matas.

Chapo defendeu que a continuação da violência impede a recuperação das infra-estruturas, reduz as oportunidades económicas e atrasa a concretização de programas públicos. O chefe de Estado relacionou o restabelecimento da paz com a possibilidade de executar obras rodoviárias, desenvolver os projectos de gás e criar postos de trabalho para jovens e mulheres.

“Por isso, nós, como Governo, não conseguimos apanhar sono enquanto o terrorismo continuar em Cabo Delgado. Continuamos a trabalhar dia e noite para que haja paz em Cabo Delgado, porque só com a paz é que podemos desenvolver Cabo Delgado e Moçambique”, disse Daniel Chapo, segundo a reportagem publicada pela Integrity Magazine após o comício.

O Presidente acrescentou que ninguém poderá desenvolver o país num ambiente marcado por guerra, terrorismo, violência e ódio. O Governo, afirmou, continuará a trabalhar para garantir tranquilidade e condições para que a população retome as actividades sociais e económicas.

Visita presidencial inclui Pemba, Montepuez e Meluco

A deslocação de Daniel Chapo a Cabo Delgado começou em 29 de Junho e deverá prolongar-se até quinta-feira. A agenda faz parte da iniciativa denominada “governação com o povo”, através da qual o chefe de Estado mantém encontros directos com cidadãos, autoridades locais e diferentes segmentos sociais.

De acordo com a Rádio Moçambique, a programação inclui actividades na cidade de Pemba e nos distritos de Montepuez e Meluco. Estão previstos comícios e sessões extraordinárias com os órgãos de governação provincial e distrital.

Em Montepuez, Chapo visitou uma exposição dedicada às potencialidades socioeconómicas da província antes de discursar no comício. O Presidente observou iniciativas ligadas à agricultura, transformação de produtos, cooperativas e projectos financiados pelo Fundo de Desenvolvimento Económico Local.

Durante a mesma intervenção, defendeu que os cidadãos se organizem em cooperativas para participar legalmente na exploração de ouro, rubis e outros recursos minerais. Montepuez é uma das principais zonas de produção de rubis de Cabo Delgado, e a gestão dos recursos naturais ocupou uma parte do discurso presidencial.

“Temos de nos organizar em cooperativas para sermos donos do nosso ouro, do nosso rubi e da nossa riqueza”, declarou Chapo perante a população reunida no distrito.

A referência aos recursos minerais foi apresentada no contexto do desenvolvimento económico da província. O Presidente defendeu que as riquezas existentes no território devem produzir benefícios para os moçambicanos e que a organização legal dos produtores pode ampliar a participação das comunidades na actividade extractiva.

Governo promete manter serviços básicos e actividade económica

Daniel Chapo assegurou que o Governo continuará a trabalhar para garantir serviços básicos em Cabo Delgado. A declaração foi feita numa província onde a violência tem afectado a circulação de pessoas, o funcionamento de serviços públicos e a implementação de investimentos.

O Presidente afirmou que a paz permitirá concentrar os recursos do Estado na reconstrução e no desenvolvimento. Entre as prioridades mencionadas durante a intervenção estão:

Chapo também abordou o pagamento dos funcionários públicos. Disse que o Governo está a trabalhar para que os salários entrem mais cedo nas contas e afirmou que, antes de 25 de Junho, os funcionários já tinham recebido os respectivos pagamentos.

O chefe de Estado acrescentou que o Executivo continuará a procurar uma solução para a retoma do pagamento das horas extraordinárias. O assunto foi apresentado durante a parte do discurso dedicada ao funcionamento da Administração Pública.

As referências aos salários, aos recursos minerais e aos projectos económicos foram enquadradas na mesma mensagem: sem paz, as instituições e os investimentos não conseguem funcionar plenamente.

Presidente pede vigilância contra rumores

Além do apelo aos grupos armados, Daniel Chapo pediu maior vigilância às comunidades. O Presidente afirmou que a população tem um papel relevante na protecção das aldeias, dos serviços públicos e da tranquilidade local.

“A principal polícia é o povo”, declarou, ao defender que os residentes devem permanecer atentos a rumores susceptíveis de provocar desordem ou ataques contra infra-estruturas.

Chapo mencionou informações falsas relacionadas com campanhas de vacinação e cólera. Segundo o Presidente, rumores dessa natureza já contribuíram para situações em que algumas pessoas atacaram hospitais ou interromperam serviços essenciais.

O chefe de Estado pediu aos jovens que confirmem as informações antes de agir e que evitem participar na destruição de escolas, hospitais ou outros bens públicos. O alerta foi incluído na mensagem sobre segurança, paz e responsabilidade comunitária.

Conflito armado começou em Cabo Delgado em 2017

Os ataques armados em Cabo Delgado começaram em Outubro de 2017. Desde então, diferentes distritos da província registaram incursões contra comunidades, autoridades e infra-estruturas.

O Governo moçambicano mantém operações de segurança na região e conta com apoio militar externo no combate aos grupos armados. Ao mesmo tempo, Daniel Chapo tem afirmado que o país procura uma solução capaz de restabelecer a paz e permitir a recuperação económica e social da província.

Em Dezembro de 2025, durante uma entrevista à agência Lusa, o Presidente já tinha admitido a possibilidade de diálogo para resolver o conflito. Na ocasião, afirmou que o objectivo central de Moçambique era alcançar a paz.

A declaração feita em Montepuez, em 29 de Junho de 2026, tornou o apelo mais directo. Chapo pediu aos integrantes dos grupos armados que saiam das matas, abandonem a violência e se disponibilizem para conversar.

O Governo, segundo o Presidente, continuará a combater os ataques e a trabalhar pela segurança. Paralelamente, o chefe de Estado apresentou o diálogo como caminho para permitir o regresso da normalidade, a reconstrução de infra-estruturas, o avanço dos projectos económicos e a criação de oportunidades para a população de Cabo Delgado.

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