No outono de 2025, a Polônia e a Coreia do Sul deram um passo estratégico na área de cooperação em defesa. Durante a feira internacional da indústria de defesa MSPO, na cidade de Kielce, foi anunciado a criação de uma joint venture para a localização da produção de mísseis guiados. Sobre isso informa infromoz.com, com referência a Defence-blog. A iniciativa demonstra a ambição de Varsóvia de alcançar autossuficiência na área de defesa e expandir as capacidades de produção nacional. Segundo especialistas, este projeto não apenas fortalece o exército polonês, mas também abre novas oportunidades para cooperação internacional. Ao mesmo tempo, responde aos crescentes desafios de segurança na Europa.
Assinatura do acordo em Kielce
Em 2 de setembro, no âmbito da feira MSPO, foi assinado um acordo entre as empresas Hanwha Aerospace e WB Group. A nova empresa na Polônia se especializará na produção de mísseis CGR-080 para o sistema de lançamento múltiplo Homar-K, que já está em serviço com as forças polonesas. A cerimônia contou com a participação do presidente da Hanwha Aerospace, Cheil Son, do presidente da WB Group, Piotr Wojciechowski, e do vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa da Polônia, Władysław Marcin Kosiniak-Kamysz. O evento tornou-se um marco para o setor de defesa e recebeu ampla atenção.
Discursos de líderes políticos e militares
Kosiniak-Kamysz declarou: “Este é, sem exagero, o evento mais importante da MSPO deste ano. Estamos adquirindo a capacidade de produzir mísseis para os lançadores Homar-K. É um verdadeiro marco. Estamos nos tornando cada vez mais autossuficientes na área de produção de defesa. Não estamos apenas comprando armas – estamos trazendo sua produção para a Polônia.”
As palavras do ministro ressaltam que a cooperação permite que a Polônia passe do papel de comprador para o de produtor de armamentos. Isso reduz a dependência de fornecedores externos e torna o país mais resiliente a situações de crise.
Transferência tecnológica e produção
A joint venture implementa um processo gradual de transferência de tecnologia. O programa inclui um sistema de controle de qualidade certificado, treinamento de pessoal e aumento da produção em série. Espera-se que até o final de 2028 a fábrica atinja plena capacidade operacional.
Resultados práticos e planos
De acordo com a WB Group, a empresa empregará cerca de 250 especialistas. A produção do CGR-080 será apenas o primeiro passo: os planos incluem o desenvolvimento de novos modelos de mísseis que atenderão às futuras necessidades do exército polonês. Todos os processos estarão em conformidade tanto com as regras de aquisição polonesas quanto com a legislação de exportação sul-coreana.
Lista dos resultados esperados:
- criação de 250 empregos;
- transferência de tecnologias-chave para a Polônia;
- localização da produção do CGR-080;
- desenvolvimento de novos mísseis para as necessidades nacionais;
- garantia de uma cadeia de suprimentos estável.
Posição dos participantes da cooperação
O presidente da WB Group, Piotr Wojciechowski, destacou: “Esta fábrica de mísseis é um investimento importante, o primeiro do seu tipo na Polônia, com o principal objetivo de reforçar a segurança nacional garantindo a produção interna de munições críticas. O projeto também inclui o desenvolvimento contínuo do sistema de mísseis CGR-080 e a criação de novos mísseis guiados para atender às crescentes necessidades de defesa.”
A Hanwha Aerospace, por sua vez, enfatizou o caráter de longo prazo da parceria. Cheil Son afirmou: “Esta joint venture irá localizar a produção do CGR-080, transferir know-how crítico e garantir o desenvolvimento conjunto de munições de próxima geração com nossos parceiros poloneses. É um investimento em pessoas, tecnologia e no futuro da Polônia, por uma Europa mais segura.”
Importância do CGR-080 para o Homar-K
O míssil guiado CGR-080 tem um alcance de cerca de 80 quilômetros e é um elemento-chave do sistema Homar-K. Com sua produção no país, a Polônia terá uma fonte confiável de suprimento de munições, capazes não apenas de reforçar seu próprio exército, mas também de se tornar um produto de exportação competitivo.
Significado militar e geopolítico
A produção do CGR-080 na Polônia permite:
- reduzir o risco de interrupções no fornecimento;
- garantir independência tecnológica;
- apoiar aliados na Europa com novos tipos de armas;
- aumentar o papel da Polônia como produtora na OTAN;
- criar uma base para o desenvolvimento de futuras gerações de mísseis.
A Polônia como produtora de armamentos de novo nível
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla de Varsóvia para o desenvolvimento da indústria de defesa. Em meio à instabilidade no continente, o país aposta na criação de suas próprias capacidades. A cooperação com a Coreia do Sul, que já inclui contratos para tanques, obuses e artilharia, avança para um novo patamar.
Perspectivas até 2028
A Polônia busca se tornar não apenas compradora de armas, mas um produtor completo, capaz de formar e expandir seu próprio arsenal. Até 2028, está previsto o término da formação da fábrica, que se tornará símbolo de uma nova era no setor de defesa do país. Para Varsóvia, isso significa maior autonomia; para Seul, o fortalecimento da parceria com um aliado-chave na Europa.
CGR-080: o que se sabe sobre o míssil
O CGR-080 é um míssil guiado com alcance de cerca de 80 quilômetros, desenvolvido especialmente para o sistema de lançamento múltiplo Homar-K. Ele pertence à nova geração de armas de alta precisão, capazes de atingir alvos a longa distância e apoiar operações em condições modernas de combate.
Alcance e capacidades
- alcance aproximado: 80 km;
- alta precisão de guiamento;
- integração com o sistema Homar-K, baseado em tecnologias polono-coreanas conjuntas;
- possibilidade de futuras modernizações e criação de novas versões.
Custo de produção
Os números oficiais sobre o custo de cada míssil CGR-080 ainda não foram divulgados. Sabe-se que mísseis de alta precisão semelhantes para sistemas de lançamento múltiplo custam de 100.000 a 200.000 dólares por unidade, dependendo da modificação e do volume de compras. A localização da produção na Polônia deve reduzir os custos de logística e garantir a estabilidade do fornecimento, tornando o projeto estrategicamente vantajoso.
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