Vacina contra HPV em Moçambique: saiba quem deve tomar, onde é gratuita e como a imunização reduz o risco de cancro do colo do útero. Veja idades, locais, doses e orientações oficiais do MISAU.
Vacina contra HPV em Moçambique: saiba quem deve tomar, onde é gratuita e como a imunização reduz o risco de cancro do colo do útero. Veja idades, locais, doses e orientações oficiais do MISAU.

A vacina contra HPV em Moçambique integra o programa nacional de imunização e é disponibilizada gratuitamente às meninas que completam 9 anos. Como apurou a informa a redacção do Infromoz, a vacinação pode ser feita nas unidades sanitárias e por meio de brigadas móveis que percorrem escolas e comunidades. O calendário nacional de vacinação publicado pelo UNICEF também inclui a imunização contra o HPV aos 9 anos de idade.

A medida procura impedir a infecção pelos tipos de papilomavírus humano associados ao desenvolvimento do cancro do colo do útero antes de as raparigas entrarem na faixa de maior exposição ao vírus. Em 2025, Moçambique realizou ainda uma campanha nacional de recuperação dirigida principalmente a raparigas de 12 a 18 anos que não tinham sido alcançadas anteriormente. Segundo OMS, UNICEF e Gavi, a operação chegou a mais de 2,9 milhões de raparigas nas 11 províncias e alcançou 95% da população-alvo.

Quem deve tomar a vacina contra HPV em Moçambique

No programa de rotina actualmente divulgado pelas autoridades e parceiros de saúde, o grupo directamente abrangido é o das meninas que completam 9 anos. A vacinação nessa idade procura assegurar protecção antes do início da actividade sexual, período em que existe maior probabilidade de contacto futuro com o vírus.

O próprio calendário nacional de vacinação identifica a vacina contra o HPV aos 9 anos de vida, juntamente com as restantes intervenções previstas pelo Programa Alargado de Vacinação.

Em Setembro e Outubro de 2025, a estratégia foi temporariamente ampliada através de uma campanha nacional destinada às raparigas de 12 a 18 anos. Em Sofala, por exemplo, a campanha decorreu entre 29 de Setembro e 3 de Outubro e também incluiu meninas de 9, 10 e 11 anos que não tinham sido vacinadas nas actividades de rotina ou pelas brigadas móveis. Só naquela província, a meta anunciada era alcançar 248.609 raparigas.

Os principais grupos alcançados pelas estratégias recentes foram:

  • meninas que completam 9 anos, através da vacinação de rotina;
  • raparigas que não receberam a vacina na idade prevista e foram abrangidas pelas campanhas de recuperação;
  • adolescentes de 12 a 18 anos incluídas na campanha nacional realizada em 2025.

Para saber se uma rapariga que ficou fora dessas campanhas ainda pode ser vacinada, a orientação prática é procurar a unidade sanitária mais próxima e confirmar a elegibilidade segundo o programa em vigor.

Onde procurar a vacina contra HPV

O UNICEF informa que o Governo de Moçambique disponibiliza gratuitamente a vacina às meninas que completam 9 anos. O serviço não fica restrito a hospitais de referência ou às principais cidades.

A vacinação está disponível através de:

  • unidades sanitárias;
  • brigadas móveis que visitam escolas;
  • brigadas que realizam vacinação nas comunidades.

Essa combinação foi adoptada para alcançar também raparigas que vivem longe das unidades de saúde ou que podem ser vacinadas directamente no ambiente escolar.

A experiência já vinha sendo utilizada antes da grande campanha de 2025. Em 2024, a OMS descreveu uma estratégia baseada em escolas, unidades fixas, visitas porta a porta e equipas móveis para alcançar meninas que poderiam ficar fora da vacinação convencional.

“É mais fácil comunicar os benefícios às meninas, às famílias e à comunidade quando levamos o serviço ao grupo-alvo.”
— Aissa Cutane, técnica de saúde pública do Centro de Saúde Habel Jafar, em Marracuene, numa reportagem da OMS publicada em 30 de Abril de 2024.

Para famílias que não encontram uma brigada na escola ou comunidade, a referência indicada pelo UNICEF é a unidade sanitária mais próxima.

Por que a vacina protege contra o cancro do colo do útero

O papilomavírus humano inclui um grande conjunto de vírus. Alguns tipos estão associados ao desenvolvimento de diferentes cancros. No caso do colo do útero, a ligação é particularmente forte.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, praticamente todos os casos de cancro do colo do útero estão associados à infecção genital persistente pelo HPV. As vacinas disponíveis protegem contra os principais tipos oncogénicos, incluindo HPV 16 e HPV 18, responsáveis por uma grande proporção dos casos da doença.

A maioria das infecções por HPV desaparece espontaneamente. O problema surge quando uma infecção causada por um tipo de alto risco persiste durante anos. Alterações nas células do colo do útero podem então evoluir de lesões pré-cancerosas para cancro invasivo.

É por esse motivo que a vacinação é feita prioritariamente antes da exposição ao vírus.

“Começar cedo significa oferecer protecção a todas as raparigas em Moçambique antes de estarem em risco.”
— Dr. Severin von Xylander, representante da OMS em Moçambique, no comunicado conjunto divulgado em Outubro de 2025.

A OMS considera a vacinação contra o HPV uma das intervenções centrais da estratégia mundial para eliminar o cancro do colo do útero como problema de saúde pública. A meta global inclui vacinar 90% das meninas contra o HPV até aos 15 anos.

Uma dose passou a ter papel central na estratégia

A OMS actualizou as suas recomendações internacionais e admite uma ou duas doses para meninas dos 9 aos 14 anos e para raparigas e mulheres dos 15 aos 20 anos. Para mulheres acima dos 21 anos, a recomendação geral da organização continua a prever duas doses com intervalo de seis meses. Pessoas imunocomprometidas, incluindo aquelas que vivem com HIV, devem receber pelo menos duas doses e, quando possível, três.

Em Moçambique, a comunicação oficial relacionada com a campanha nacional de 2025 destacou a utilização de uma dose para a protecção das adolescentes incluídas na operação.

“Com apenas uma dose, a vacina contra o HPV oferece uma forte protecção contra o cancro do colo do útero.”
— Thierry Vincent, responsável da Gavi em Moçambique, no comunicado conjunto da Gavi, OMS e UNICEF de Outubro de 2025.

O número de doses que cada pessoa deve receber depende da idade, do programa nacional aplicado ao grupo e de condições clínicas específicas.

O peso do cancro do colo do útero em Moçambique

A vacinação ganhou prioridade porque Moçambique enfrenta uma elevada carga da doença. No comunicado publicado em Outubro de 2025, OMS, UNICEF e Gavi classificaram o cancro do colo do útero como o principal cancro entre mulheres em idade reprodutiva no país e indicaram aproximadamente 4.000 mortes por ano.

Dados anteriores da OMS já colocavam Moçambique entre os países com incidência elevada. O perfil nacional da organização estimou uma incidência padronizada por idade de 50,2 casos por 100 mil mulheres em 2020.

A dimensão do problema explica a expansão progressiva da vacinação. Moçambique realizou projectos demonstrativos contra o HPV já em 2014, incluindo intervenções em Manhiça, Manica e Mocímboa da Praia. Posteriormente, a vacina passou para o programa nacional, e as autoridades começaram a ampliar a vacinação de rotina e as campanhas de recuperação.

Em 2024, dados administrativos do Ministério da Saúde citados pela OMS apontavam cobertura superior a 80% para a primeira dose. A campanha nacional de 2025 procurou alcançar principalmente adolescentes que haviam perdido oportunidades anteriores de vacinação.

A vacina é segura?

A OMS afirma que estudos clínicos e sistemas de vigilância realizados em diferentes continentes demonstram que as vacinas contra HPV têm um bom perfil de segurança.

O material informativo do UNICEF Moçambique, produzido no âmbito da campanha nacional, também classifica a vacina como segura e eficaz. Entre as reacções que podem ocorrer após a injecção estão dor no braço, inchaço ou vermelhidão no local onde a vacina foi aplicada.

Essas reacções locais são geralmente associadas à própria administração injectável.

A vacinação não substitui outras medidas de prevenção do cancro do colo do útero. A estratégia de controlo da doença combina imunização, rastreio e tratamento precoce de lesões que podem evoluir para cancro.

Vacinação e rastreio têm funções diferentes

A vacina actua antes do desenvolvimento das alterações celulares provocadas pelo HPV. O rastreio, por outro lado, procura identificar alterações no colo do útero antes que evoluam para doença invasiva.

O UNICEF Moçambique orienta mulheres adultas a recorrerem aos serviços de saúde para acompanhamento ginecológico e rastreio. O país também possui programas de detecção e tratamento de lesões pré-cancerosas e de cancro do colo do útero.

Mesmo numa população amplamente vacinada, o rastreio continua a integrar a estratégia de prevenção porque nenhuma vacina cobre todos os tipos de HPV capazes de causar cancro.

A vacinação precoce, porém, permite actuar antes do principal factor causal. É por isso que o calendário moçambicano coloca a imunização aos 9 anos e que as campanhas de recuperação foram dirigidas às adolescentes que perderam a vacinação na idade programada.

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