Mais de 1.500 cidadãos do Zimbabwe foram repatriados pela fronteira de Beitbridge em 12 dias. A BMA detalhou os números, os controlos, os documentos exigidos e os atrasos registados.
Mais de 1.500 cidadãos do Zimbabwe foram repatriados pela fronteira de Beitbridge em 12 dias. A BMA detalhou os números, os controlos, os documentos exigidos e os atrasos registados.

Mais de 1.500 cidadãos do Zimbabwe foram repatriados através do posto fronteiriço de Beitbridge entre 12 e 24 de Junho de 2026, numa operação coordenada pelas autoridades sul-africanas com a participação de representantes diplomáticos e serviços de segurança. Segundo a Border Management Authority, 1.521 zimbabweanos foram transportados em 26 autocarros durante esse período — informa a redacção do Infromoz, citando dados divulgados pela BMA e pelo jornal NewZimbabwe.

No total, a autoridade fronteiriça processou 8.230 cidadãos estrangeiros em Beitbridge durante os 12 dias abrangidos pelo balanço. Além dos 1.521 cidadãos do Zimbabwe, passaram pelo posto 6.709 cidadãos do Malawi, transportados em 112 autocarros. Os procedimentos incluíram verificação de identidade, análise dos documentos de viagem e controlo do cumprimento das normas migratórias aplicáveis.

BMA processou 8.230 pessoas entre 12 e 24 de Junho

Os dados apresentados pela Border Management Authority mostram a dimensão da operação realizada no principal corredor terrestre entre a África do Sul e o Zimbabwe. Beitbridge liga a província sul-africana de Limpopo ao território zimbabweano e é utilizado por transportadores de passageiros, veículos particulares e operadores comerciais que circulam entre os países da África Austral.

O balanço oficial da operação indica:

  • 1.521 cidadãos do Zimbabwe processados em 26 autocarros;
  • 6.709 cidadãos do Malawi processados em 112 autocarros;
  • 8.230 cidadãos estrangeiros processados no total;
  • 138 autocarros utilizados nas operações contabilizadas entre 12 e 24 de Junho.

A porta-voz da BMA, Mmemme Mogotsi, explicou que os cidadãos estrangeiros foram processados na presença de representantes das respectivas embaixadas.

“Todos os cidadãos estrangeiros que chegaram para o repatriamento foram processados na presença de funcionários das respectivas embaixadas, para verificar a identidade, a documentação de viagem e o cumprimento dos requisitos de imigração aplicáveis”, declarou Mogotsi ao apresentar os procedimentos adoptados pela autoridade fronteiriça.

A presença das missões diplomáticas permitiu confirmar a nacionalidade dos viajantes e validar os documentos utilizados no regresso. Entre os instrumentos usados durante estas operações estiveram os Certificados de Viagem de Emergência, conhecidos pela sigla inglesa ETC, emitidos para pessoas que não dispunham de passaporte válido ou de outro documento regular que permitisse a travessia internacional.

Autocarros sem certificados foram retirados da zona fronteiriça

A BMA informou que 17 autocarros que transportavam cidadãos estrangeiros chegaram ao posto de Beitbridge, numa manhã de quinta-feira, sem os Certificados de Viagem de Emergência exigidos. Os veículos não foram autorizados a permanecer dentro da área operacional da fronteira enquanto a documentação não estivesse regularizada.

“Para descongestionar o posto fronteiriço de Beitbridge, estes autocarros não puderam ser processados e foram encaminhados para a zona de paragem de camiões de Musina, até que a documentação necessária fosse obtida e verificada”, afirmou Mmemme Mogotsi.

A decisão foi tomada para impedir que veículos ainda sem condições documentais ocupassem as vias e as áreas destinadas ao processamento de passageiros autorizados. A BMA esclareceu que o posto fronteiriço não deve ser utilizado como parque de espera por transportadores que chegam antes de concluir os procedimentos administrativos.

As autoridades também identificaram autocarros matriculados na África do Sul que não possuíam licenças válidas para o transporte transfronteiriço. De acordo com a BMA, esses veículos não podem atravessar a fronteira enquanto os operadores não apresentarem as autorizações exigidas.

Alguns motoristas também chegaram sem passaporte, apesar de o documento ser obrigatório para quem conduz um veículo através de uma fronteira internacional. A autoridade pediu aos operadores que confirmem previamente as condições dos veículos, a situação documental dos motoristas e a validade das licenças de transporte.

Entre os requisitos destacados pela BMA estão:

  • autocarros em condições técnicas adequadas para circular;
  • motoristas com passaporte válido;
  • licença de transporte transfronteiriço;
  • Certificados de Viagem de Emergência dos passageiros que deles necessitem;
  • verificação migratória concluída antes da chegada a Beitbridge;
  • autorização dos serviços policiais envolvidos no processo.

“Isso inclui assegurar que os autocarros estejam em condições de circular, que os motoristas tenham passaportes válidos e que todas as licenças transfronteiriças exigidas tenham sido obtidas”, declarou Mogotsi.

Passageiros devem passar primeiro pelos controlos em Musina

A Border Management Authority orientou os cidadãos abrangidos por programas de repatriamento voluntário a concluírem primeiro o processamento junto do Department of Home Affairs da África do Sul. A pessoa só deve seguir para Beitbridge depois de terminar as verificações migratórias e policiais previstas.

O procedimento inclui controlos realizados pelo Department of Home Affairs e pelo South African Police Service. Segundo a BMA, essas verificações devem ocorrer no Centro de Recepção de Refugiados de Musina antes de os autocarros entrarem na área fronteiriça.

A polícia verifica, entre outros elementos, se entre os passageiros existe alguma pessoa procurada pelas autoridades. A medida faz parte das autorizações necessárias antes da saída do território sul-africano.

Mmemme Mogotsi afirmou que “as verificações do Department of Home Affairs e todas as autorizações do Serviço de Polícia da África do Sul, incluindo a confirmação de que pessoas procuradas não integram o grupo de repatriamento, devem ser concluídas no Centro de Recepção de Refugiados de Musina antes da chegada ao posto de Beitbridge”.

O processamento antecipado procura reduzir o tempo de permanência dos autocarros no posto e evitar que verificações que deveriam ocorrer em Musina sejam transferidas para a zona de travessia.

Operação de 13 horas processou 467 cidadãos do Zimbabwe

Parte do movimento registado em Junho ocorreu durante uma operação de 13 horas realizada em Beitbridge. Nessa acção, a BMA processou 1.596 cidadãos do Malawi e do Zimbabwe.

O grupo era composto por 1.129 malawianos transportados em 17 autocarros e 467 cidadãos do Zimbabwe transferidos do Centro de Detenção de Lindela para Beitbridge. Os cidadãos malawianos encontravam-se na África do Sul sem documentos que autorizassem a continuação da sua permanência e receberam Certificados de Viagem de Emergência através de um processo coordenado pela Alta Comissão do Malawi.

Durante a operação, as equipas realizaram contagens dos passageiros, recolha e verificação biométrica de impressões digitais e processamento colectivo das informações constantes nos certificados de emergência.

Os trabalhos envolveram funcionários da BMA, do Department of Home Affairs e da unidade de policiamento de ordem pública da polícia sul-africana. A autoridade declarou que os controlos tinham como objectivo manter a integridade do sistema migratório e assegurar que cada pessoa transportada fosse devidamente identificada e registada.

O comissário da Border Management Authority, Michael Masiapato, afirmou que a operação exigiu coordenação entre várias instituições e equipas.

“O empenho, a disciplina e o profissionalismo dos funcionários garantiram que este complexo exercício de repatriamento fosse executado de forma eficiente, humana e em pleno cumprimento da lei”, disse Masiapato após a operação de 13 horas.

Segundo o comissário, a presença de famílias e crianças exigiu atenção específica por parte dos agentes responsáveis pelo controlo migratório. As equipas tiveram de aplicar as regras de imigração e, ao mesmo tempo, organizar o atendimento de grupos compostos por adultos e menores.

“Isto reflecte o nosso compromisso de aplicar a lei de uma forma que respeite a dignidade humana e os direitos de todas as pessoas”, acrescentou Masiapato.

Governo sul-africano inspeccionou a estrutura de Beitbridge

Em 29 de Junho, o Comité Interministerial sobre Migração da África do Sul realizou uma inspecção no posto fronteiriço de Beitbridge. A visita ocorreu antes de novas operações de repatriamento previstas pelas autoridades.

Segundo o portal oficial SAnews, a delegação avaliou o estado de preparação de um centro temporário de processamento instalado para apoiar as operações.

O comité é presidido pela ministra da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Mmamoloko Kubayi. Participaram na inspecção representantes dos ministérios do Interior, Saúde, Obras Públicas e Polícia, além de outros responsáveis governamentais.

A delegação incluiu:

  • o vice-ministro da Justiça e Desenvolvimento Constitucional, Andries Nel;
  • o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi;
  • o ministro das Obras Públicas, Dean Macpherson;
  • o ministro do Interior, Leon Schreiber;
  • o ministro interino da Polícia, Firoz Cachalia;
  • a vice-ministra da Polícia, Polly Boshielo.

O Departamento da Justiça informou que a inspecção fazia parte das medidas governamentais destinadas a reforçar a gestão das fronteiras e a coordenação das políticas migratórias.

Masiapato declarou que a BMA continuaria a trabalhar com o Department of Home Affairs, o Department of International Relations and Cooperation, embaixadas estrangeiras, serviços policiais, entidades fronteiriças e empresas de transporte.

“A BMA continua empenhada em trabalhar estreitamente com todos os intervenientes para garantir que os processos de repatriamento sejam realizados de forma legal, segura, digna e organizada”, afirmou o comissário.

A autoridade voltou a pedir que as transportadoras não enviem autocarros para Beitbridge antes de obterem os certificados dos passageiros, as licenças transfronteiriças e os documentos dos motoristas. Segundo a BMA, a conclusão antecipada dessas exigências é necessária para evitar filas, retirar veículos sem autorização da área operacional e acelerar a passagem dos grupos que já foram devidamente processados.

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