O Governo de Moçambique pretende disponibilizar a rede móvel de quinta geração nas capitais provinciais, principais destinos turísticos e zonas económicas especiais até 2027. O plano foi apresentado pelo Presidente Daniel Chapo na abertura da 5.ª Conferência Nacional das Comunicações, realizada em Maputo, informa a redação do Infromoz, com base na Agência de Informação de Moçambique, citada pelo Club of Mozambique.
A expansão do 5G em Moçambique será feita por etapas. Depois das capitais provinciais e áreas consideradas prioritárias para o turismo e o investimento, a cobertura deverá avançar para zonas densamente povoadas. A meta anunciada pelo chefe de Estado é melhorar o acesso à banda larga em todos os distritos e postos administrativos até 2030.
Governo associa cobertura 5G ao turismo e ao investimento
Daniel Chapo afirmou que a nova infraestrutura não deve ser vista apenas como uma atualização tecnológica. Segundo o Presidente, a cobertura móvel de alta velocidade poderá modernizar serviços, ampliar a inclusão digital e criar condições para atrair capital nacional e estrangeiro.
“Mais do que um avanço tecnológico, o 5G representa uma oportunidade para acelerar a inclusão digital, atrair investimento nacional e estrangeiro, modernizar os serviços e criar oportunidades para os cidadãos e para a economia nacional”, declarou Chapo durante a conferência, na segunda-feira, 22 de junho, em Maputo.
O calendário apresentado pelo Governo estabelece três áreas prioritárias para a primeira fase da expansão:
- todas as capitais provinciais;
- principais destinos turísticos do país;
- zonas económicas especiais e polos de investimento.
A inclusão dos destinos turísticos no plano está ligada à necessidade de melhorar os serviços digitais oferecidos a visitantes, operadores hoteleiros, transportadoras, agências de viagens e administrações locais. Uma rede com maior capacidade pode facilitar reservas, pagamentos eletrónicos, sistemas de segurança, plataformas de transporte, promoção digital e comunicação em tempo real.
O Governo, no entanto, não divulgou durante o evento o investimento total necessário, o número de estações de telecomunicações que terão de ser instaladas ou a lista completa dos destinos turísticos abrangidos até 2027.
Calendário anunciado para a expansão da rede
| Período | Áreas previstas | Objetivo anunciado |
|---|---|---|
| 2026–2027 | Capitais provinciais | Disponibilizar serviços móveis 5G nos principais centros administrativos |
| 2026–2027 | Destinos turísticos | Melhorar a conectividade e apoiar serviços ligados ao turismo |
| 2026–2027 | Zonas económicas especiais | Criar condições para investimento, indústria e serviços digitais |
| Depois de 2027 | Áreas densamente povoadas | Ampliar progressivamente a cobertura da nova tecnologia |
| Até 2030 | Distritos e postos administrativos | Melhorar o acesso à banda larga em todo o território nacional |
Segundo informações divulgadas após a conferência, o Estado já atribuiu espectro radioelétrico aos principais operadores móveis para o início da implementação do 5G. O anúncio representa uma etapa regulatória indispensável, porque as operadoras precisam de frequências autorizadas para instalar e explorar comercialmente a tecnologia.
A cobertura efetiva dependerá, contudo, da instalação de equipamentos, da modernização das redes existentes, do acesso à energia elétrica, da ligação por fibra ótica ou outras infraestruturas de transmissão e da capacidade de investimento das empresas de telecomunicações.

Chapo promete acesso digital além dos grandes centros
No discurso, Daniel Chapo defendeu que a transformação digital deve chegar aos cidadãos independentemente da sua localização geográfica. O Presidente afirmou que o país está a avançar na expansão do acesso à internet com o objetivo de alcançar uma cobertura universal até 2030.
De acordo com o chefe de Estado, as comunicações digitais passaram a desempenhar um papel central no funcionamento da economia, na prestação de serviços públicos e na capacidade de resposta das autoridades durante situações de crise.
A estratégia apresentada inclui a criação de instituições, regras e instrumentos destinados a acompanhar as mudanças tecnológicas. Chapo considerou que a expansão da infraestrutura precisa de ser acompanhada por regulação moderna, proteção dos utilizadores e condições adequadas para o investimento privado.
“Estes instrumentos e infraestruturas vão proteger os cidadãos e fazer avançar o país neste setor. Vamos assegurar que os benefícios da transformação digital cheguem a todos os moçambicanos”, afirmou.
A Autoridade Reguladora das Comunicações de Moçambique deverá ter um papel central neste processo. O INCM é responsável pela regulação dos setores postal e das telecomunicações, incluindo a gestão do espectro, o licenciamento dos operadores, a supervisão da concorrência e a proteção dos consumidores.
Conferência discutiu inteligência artificial e segurança das redes
A 5.ª Conferência Nacional das Comunicações decorreu entre segunda e terça-feira, 22 e 23 de junho, na cidade de Maputo. O encontro foi organizado pelo INCM e reuniu membros do Governo, reguladores, empresas privadas, especialistas e parceiros internacionais.
Além da implementação da rede 5G, os participantes analisaram temas ligados à inteligência artificial, economia digital, resistência das infraestruturas de comunicação, cibersegurança, inovação e modernização dos serviços públicos.
O Governo apresentou a transformação digital como um dos instrumentos para aumentar a produtividade e reduzir limitações no acesso aos serviços. Entre as áreas que podem beneficiar de redes de maior capacidade estão saúde, educação, agricultura, gestão pública, logística, mineração, comércio eletrónico e sistemas financeiros.
A tecnologia 5G permite maior velocidade de transmissão, menor tempo de resposta e ligação simultânea de um número superior de dispositivos. Essas características podem apoiar soluções como sensores industriais, monitorização remota, gestão inteligente de transportes, videoconferências de alta qualidade e sistemas automáticos de controlo.
A disponibilidade técnica, porém, não significa acesso imediato para toda a população. O preço dos equipamentos compatíveis, o custo dos pacotes de dados e a qualidade da cobertura fora dos grandes centros continuarão a determinar quantos cidadãos poderão utilizar efetivamente os novos serviços.
Moçambique e Angola assinam dois memorandos
À margem da conferência, Moçambique e Angola assinaram dois memorandos de cooperação nas áreas espacial, das comunicações, tecnologias de informação e comunicação e meteorologia. Os documentos foram rubricados com a participação dos ministros Américo Muchanga, de Moçambique, e Mário Oliveira, de Angola.
Segundo a RTP, citando a agência Lusa, o primeiro memorando prevê partilha de conhecimentos, formação técnica e desenvolvimento de iniciativas relacionadas com tecnologias espaciais. O segundo abrange comunicações, TIC, meteorologia, cooperação institucional e modernização dos serviços públicos.
As autoridades também confirmaram trabalhos para ligar a Estação Terrena de Boane, na província de Maputo, ao satélite angolano ANGOSAT-2. A estação já recebe sinais e encontra-se em fase de testes operacionais, segundo informações divulgadas durante o encontro.
O objetivo é utilizar a conectividade por satélite para reforçar o acesso à internet em escolas, comunidades, instituições públicas e atividades económicas situadas em áreas onde a instalação de redes terrestres enfrenta limitações técnicas ou financeiras.
Projeto de cabo Nacala–Lobito continua na fase de desenho
Outro projeto mencionado durante a conferência foi o cabo submarino Nacala–Lobito, destinado a criar uma ligação de telecomunicações entre Moçambique, no oceano Índico, e Angola, na costa atlântica.
O projeto encontra-se na fase de desenho. As autoridades consideram que a infraestrutura poderá aumentar a capacidade internacional de internet, reduzir custos de comunicação e fortalecer o papel de Moçambique como corredor digital na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral.
Ainda não foram anunciados o orçamento, os investidores, a extensão definitiva, o modelo de exploração ou a data prevista para o início da construção. A execução dependerá de estudos técnicos, acordos entre os países envolvidos, financiamento e autorizações ambientais e regulatórias.
A expansão do 5G, a cooperação por satélite e o projeto de cabo submarino integram a mesma estratégia de reforço da conectividade nacional e regional. O calendário oficial prevê resultados iniciais nas capitais provinciais e zonas económicas prioritárias até 2027, enquanto a melhoria da banda larga em todos os distritos e postos administrativos permanece fixada para 2030.
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